Síndrome do Peter Pan

Por Professor Paulo Sérgio Buhrer
Tomando emprestado do meu amigo (e um dos maiores escritores e palestrantes do mundo) Roberto Shinyashiki, o capítulo do seu livro Sempre em Frente, no qual ele comenta sobre os Peter Pan do mundo moderno, faço também minhas contribuições.

O Peter Pan não queria crescer e você já conhece essa história. Por quê? Provavelmente por medo de assumir as responsabilidades da vida adulta. É uma delícia ser criança e sabemos disso, mas não dá para ser infantil pelo resto da vida. Há muita coisa boa, maravilhas para se viver em todas as fases da nossa existência. Quando estacionamos numa das fases, ficamos iguais aos carros apreendidos no pátio da polícia rodoviária: mofando!

Por mais que os caminhos sejam cheios de problemas, crises, dificuldades, também existem recompensas que só teremos se entrarmos nessa jornada de crescimento de peito e coração abertos, sem medo de ser feliz.

Hoje, há muitos Peter Pan nas empresas, que não querem crescer. Eles perpetuam comportamentos infantis, como a birra, o choro, os berros. É o caso do gerente que só resolve as coisas com seus funcionários como quando chorava para ganhar mamadeira, ou quando um coleguinha de sala lhe roubava o apontador. É o caso do office-boy que faz “beicinho” porque o supervisor lhe deu uma dura merecida.

Na verdade, são pessoas que não querem crescer e continuam agindo de maneira tão infantil que só falta quererem que troquemos suas fraldas. Na verdade, não sujam fraldas, mas, muitos, sujam os ambientes com seus comportamentos birrentos.

Em casa, são adultos de 25, 30 anos ou mais que vivem debaixo da saia da mãe, do pai, como os pintinhos debaixo das asas da galinha. Não se dão conta de que quanto mais demorarem a assumir o compromisso de gerenciar a própria vida, mais ficam suscetíveis aos voos rasantes dos gaviões.

O Peter Pan do mundo moderno é o colaborador que não quer se comprometer, porque acha que ganha pouco, na verdade, é igual ao filho que não quer obedecer porque acha que sua mesada é pequena, ou pelo fato do pai não ter comprado a chuteira nova do Neymar.

É o esposo ou esposa que trai, para preservar a mesma sensação de quando brincava de esconde-esconde. É o assaltante que não foi corrigido quando criança e furtava dinheiro da carteira do pai.

É o namorado ou namorada que quer que o outro lhe dê tudo o que os pais davam, que lave sua roupa, lhe sirva a refeição no pratinho de plástico do Homem-Aranha. É o filho ou filha que ainda insiste em que os pais paguem suas contas, mesmo não se dando conta de que já se passaram 10, 15, 20 anos que saíram de casa e, talvez, por não quererem assumir o comprometimento de cuidar da própria vida, é que não ganham o suficiente para manter o próprio sustento. Como foram buscar no parceiro ou parceira a manutenção do que os pais lhe davam, e não deu certo, vivem se comportando como crianças para que os pais continuem dando mesada.

Mas, o maior problema que os Peter Pan vão enfrentar será sempre a Terra do Nunca:

  • Nunca crescer;
  • Nunca ganhar bem;
  • Nunca ter um relacionamento firme;
  • Nunca aproveitar as oportunidades;
  • Nunca aguardar o tempo certo das coisas;
  • Nunca ser feliz de verdade.
Aparentemente, o Peter Pan pode se sentir feliz com esse comportamento no início, mas vai se dar conta de que as empresas não aceitam crianças trabalhando; os namorados, namoradas querem um homem, uma mulher de verdade, e não alguém para balançar no berço. E, quando se derem conta, pode ser que o tempo já tenha passado depressa demais e eles ainda não aprenderam a se levantar sem se agarrar na perna da cadeira.

Vale a pena crescer, cada tempo tem suas contribuições e evoluir traz muitas vantagens. Não nascemos para sermos eternas crianças, a não ser na capacidade de sorrir, de se alegrar com a mosca presa no vidro, com o cachorro lambendo nossa cara, e o gato sendo carregado de qualquer jeito.

Vamos crescer, só assim podemos viver de verdade, fora da Terra do Nunca.

E você, conhece algum Peter Pan?

Grande abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre!
Professor Paulo Sérgio Buhrer









PARA PENSAR
“O esforço contínuo – não a força ou a inteligência – é a chave para desvendar o nosso potencial.”
Winston Churchill

 

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