Expressões populares que você achava que falava errado.


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Alguns ditos e trovas populares tem origem difícil de ser estudada ou encontrada, e são passados de geração a geração no boca-a-boca. Assim, é comum que muitas vezes elas sofram pequenas alterações ao longo dos anos. “Batatinha quando nasce, espalha ramas pelo chão” se torna “Batatinha quando nasce esparrama pelo chão”, e assim vai.
Por outro lado, há expressões que sempre falamos da maneira correta, por mais estranho que possam parecer. Com a internet, explicações malucas e correções onde não deveriam existir se espalharam, mudando o que conhecíamos sobre os ditos populares.
Esta lista está aqui para corrigir alguns desses consertos mal-feitos. Confira 4 expressões populares que você achava que estavam erradas, mas na verdade estavam certas.
1 – Esculpido em Carrara

© Jamie Grill/GettyImages
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A expressão popular geralmente é dita como “cuspido e escarrado” para se referir a algo ou alguém semelhante, feito à imagem de outro, como na frase “esse garoto parece o pai, cuspido e escarrado”.
Mais recentemente, se popularizou a explicação de que a expressão correta era “esculpido em Carrara”. Carrara é um tipo de mármore famoso desde a Roma Antiga, usadas em esculturas, por exemplo, de Michelângelo. Mas a verdade é que é bem possível que a expressão original tenha mesmo a ver com o cuspe.
Há registros, no francês, no século 15, segundo o Trésor de la Langue Française, com a expressãotout craché, que significa “totalmente cuspido”. Em inglês, provavelmente pegando carona com o original francês, também usasse “spit and image”.  A associação com o cuspe relaciona-se, muito provavelmente, de forma simbólica com a ejaculação.
Então sim, parece bem possível que a língua portuguesa tenha apenas contribuído com o “escarrado” para reforçar a expressão, mas que sua origem fale realmente sobre o cuspe e não sobre esculturas.
2 –  Quem tem boca vaia Roma
© Hans-Peter Merten/GettyImages
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Você pode estar confuso. Muita gente usa a frase “Quem tem boca vai a Roma”, mas nos últimos anos se difundiu muito que a história de que a versão correta seria “vaia Roma”, do verbo vaiar.
Na verdade, é bem provável que a versão correta seja mesmo “vai a Roma”. Prova disso é que, no português antigo, existe uma variante “Quem língua tem, a Roma vai e vem”. Aqui, a troca com o verbo vaiar não poderia ser encaixada.
Além disso, há provérbios em outras línguas com o mesmo sentido, como no espanhol “Preguntando se va a Roma”, ou no francês “Qui langue a, à Rome va”. Ou seja, uma grande vaia para quem inventou essa troca.
3 – Quem não tem cão, caça como gato
© Nick Ridley/GettyImages
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No popular, a expressão é mais difundida como “Quem não tem cão, caça com gato”. Esse dito tem história e origem desconhecida, mas muitos afirmam que o correto seria “Quem não tem cão, caça COMO gato”.
O sentido dessa frase, assim, mudaria ligeiramente. Um homem sem seu cão de caça, seria obrigado a caçar como um gato, na surdina e sozinho. No fundo, não se sabe ao certo qual seria o correto, e não há provas suficientes para cravar qualquer uma delas como sendo a “verdadeira”.
A verdade é que a mudança, dessa vez,  não é assim tão importante, uma vez que o sentido do ditado, de forma geral, permanece o mesmo, apontando para o improviso. Ou seja, se você não pode fazer algo como deveria ser feito, tente de outra maneira.
4      – Bicho no corpo inteiro
© Larry West/GettyImages
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Mais uma vez de forma equivocada, a expressão “bicho-carpinteiro”, usada para se referir a alguém inquieto (como em “esse garoto tem bicho-carpinteiro”), foi “corrigida” para o que seria o correto: bicho no corpo inteiro.
Não tão depressa! O bicho-carpinteiro existe sim, e é a forma popular para se designar diversas espécies de besouros, que durante o estágio de larvar brocam troncos e cascas de árvores. A pessoa com bicho-carpinteiro teria sob sua pele, assim como as árvores, diversas larvas de insetos, o que a faria se remexer constantemente
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