PORTOLANO, A TEIA DE ARANHA CARTOGRÁFICA





O uso do compasso e das bússolas como instrumentos náuticos, comuns desde o fim do séc XII, junto com o desenvolvimento do astrolábio, foram decisivos para a criação das cartas náuticas, que conseguiram um grande grau de perfeição no séc. XIV, com os portolanos. Nesta época os cartógrafos já tinham conhecimento de latitude e longitude, e noção dos círculos polares.



Os portolanos não eram feitos como os mapas modernos, com grades verticais e horizontais de latitude e longitude para facilitar a localização. O método utilizado eram as linhas de rumo, que foram aperfeiçoadas por Angelo Dulcert Portolano, em 1300. Embora pareça óbvio que o termo "portolano" venha de seu sobrenome, há estudos que indicam outra origem. O termo vem do latim, através do italiano, e parece ter sido usado pela primeira vez em 1285 com o significado de "descrição dos portos marítimos e das costas". Ambas as origens são plausíveis, assim como também são aceitas as duas formas em uso: "portolano" ou, como é mais comum, "portulano". Escolha o que mais lhe agrada.

A partir do século XVI o termo portulano começou a ser aplicado a qualquer coleção de instruções náuticas e aos mapas que acompanhavam. E no século passado, finalmente, os cientistas passaram a chamar assim a todas as cartas marítimas antigas. Os portulanos eram desenhados em formato grande sobre pele bovina ou de cabra. Nos navios havia um exemplar para a orientação náutica e outro como reserva. Foram produzidos também alguns portulanos em forma de atlas, que facilitavam o manuseio em terra firme, mas estavam sujeitos a deformações e tinham o campo de leitura limitado.

A salinidade e umidade do mar se encarregaram de deteriorar a maior parte das cartas usadas na navegação. Restam hoje cerca de 130 portulanos, entre mapas e atlas dos séculos XIV e XV, sobretudo exemplares de luxo que pertenceram a autoridades da época.

E para quem acha que esse negócio de cartas e linhas de rumo de 700 anos são coisas ultrapassadas, é bom saber que o portulano é o único sistema cartográfico e não eletrônico que permite obter simultaneamente a distância entre dois pontos e o rumo para uma navegação ortodrômica entre eles. Ah, sim: navegação ortodrômica é a menor distância entre dois pontos do globo terrestre. 

Se você quiser saber mais sobre a técnica dos portolanos, pesquise sobre os loxodromas, que são a representação geométrica das nossas simples linhas de rumo - ou teias de aranha, como preferir.