E-book História As Primeiras Civilizações . Jaime Pinsky.

E-book História As Primeiras Civilizações . Jaime Pinsky.

E-book História "As primeiras civilizações". Jaime Pinsky.
Livro digital. PDF. R$ 12,00


Sumário
Bate-papo com o autor.....................................................
História natural, história social ...........................................
Caçadores e coletores.......................................................
Agricultores e criadores.....................................................
E o homem criou as cidades ..............................................
Mesopotamia .................................................................
A civilização do Nilo ........................................................
Os hebreus ...................................................................
Cronologia.....................................................................
Bibliografia.....................................................................
Discutindo o texto............................................................
Bate papo com o Autor
Nascido em Sorocaba, vive há tempos em São Paulo, terra do seu
time do coração (o glorioso São Paulo F.C.) e uma das três cidades co que
mais gosta (as outras são Paris e Salvador).
Fez pós-graduação, doutorado e livre-docência na USP. É
professor titular da Unicamp, "por concurso", diz ele.
Há tempos desenvolve atividade editorial, tendo criado e dirigido,
junto com um grupo de intelectuais, as revistas Debate á; Crítica e
Contexto. Foi também o criador da Editora da Unicamp, que dirigiu
durante quatro anos. Há pouco tempo abriu sua própria editora
(Contextos), especializada em obras paradidáticas e didáticas.
Não é, contudo, o estereótipo do intelectual pálido e doentio.
Gosta de sol e já foi fanático pescador, desses de varar a noite esperando
uma garoupa morder a isca. Abandonou a pesca pela caça submarina, e não
é raro vê-lo chegar a uma cidade litorânea, convidado para curso ou
conferência, arrastando uma mala cheia de material para esse esporte.
Em São Paulo prefere andar de moto, pelo horror que tem ao
transito e pelo prazer de ser motoqueiro.
Sua grande paixão, porém, é a corrida de pedestres, responsável
pelo seu maior orgulho: ter completado, por duas vezes, a corrida de São
Silvestre, tendo chegado entre os cinco mil primeiros colocados...
É autor ou co-autor de grande número de artigos e livros, entre os
quais 100 textos de História antiga, Escravidão no Brasil, O ensino da
História e a criação do fato, Brasileiro(a) e assim mesmo (Cidadania e
preconceitos), entre muitos outros. Está escrevendo um romance há anos
Jaime Pinsky às vezes nega, mas adora ser professor.
Já deu aulas na Unesp, USP e Unicamp, e tem dado
cursos e conferências nas principais universidades
brasileiras, além de diversas no exterior _ (EUA,
México, Porto Rico, etc.).
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mas não sabe se vai publicá-lo algum dia. Por outro lado, gosta de receber
cartas de leitores e costuma não deixá-las sem resposta.
A seguir, Jaime Pinsky responde a três questões que formulamos:
P. Com o mundo conturbado de hoje, mil coisas acontecendo, qual o
sentido de se estudarem civilizações que já não existem mais e mesmo
culturas pre-históricas?
R. Atual e presente não é o fato isolado, mas a maneira pela qual nós o
abordamos. Que eu saiba, quase todo o mundo desliga o rádio das 7 às 8 da
noite quando há um noticiário referente aos falos do dia; no entanto, há um
enorme interesse pelo espirito humano, onde e quando quer que ele tenha
produzido algo universal. A urbanização das cidades mesopotâmicas, as
obras faraônicas, o monoteísmo hebraico e mesmo a habilidade
demonstrada pelas tribos "pre-civilizadas" em resolver os conflitos
internos são manifestações do homem como tais dizem respeito a todos os
homens. Procurei trazer as questões da Antiguidade até o presente,
despindo-as do cheiro de mofo que urna erudição oca cria nelas. Tenho a
convicção de que, dessa forma, estudar Historia passa a ser um exercício de
autoconhecimento, que permite, ao ser humano uma percepção mais;
profunda de sua vivência através do conhecimento de sua herança .
P. Pelo entusiasmo com que você descreve as primeiras sociedades
pré-históricas, parece que as considera melhores do que as nossas. Você
gostaria de viver naquela época?
R. Gosto de viver minha .aventura da vida nos dias de hoje o que não quer
dizer que não porderia ser feliz se tivesse nascido ha três, seis ou dez mil
anos. Mas a questão que coloco não é da preferir aqui ou lá, hoje ou ontem.
Sugiro apenas que se pare um pouco para olhar experiências sociais
diferentes das nossas, sem preconceitos. Nós temos uma tendência de
considerar nossos valores, comportamento, religião e práticas os correctos,
o ponto dá rerencia de tudo. Viramos o umbigo do mundo e não
percebemos outros centros de gravitação. Veja bem, falamos da divindade
dos outros com artigo e em minúscula (por exemplo, "o deus dos egípsios),
desqualificando-a desde logo ao restringirmos sua ação como um dos
deuses de um povo num momento histórico determinado. Ao nosso, porém,
referimo-nos como Deus, com maiúscula, sem artigo e sem qualificações,
absoluto que pretendemos que ele seja. Da mesma forma, consideramos
exóticos hábitos alheios sem nos darmos conta de que muitos dos nossos
hábitos seriam ridículos e risíveis se vistos de fora.
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Acredito mesmo que conhecer e respeitar práticas diferentes seja
um exercicio de tolerância muito útil para todos nós. E eu tentei mostrar
que nós, civilizados, automatizados e informatizados, nem sempre
encontramos as melhores soluções para os problemas da vida social.
Afinal, não creio que houvesse mais gente com fome nas sociedades
neoliticas do que na nossa...
P. Você Fala de espírito de aventura como um dos elementos que
deflagram a ação do homem Esse espírito seria uma categoria histórica
equivalente à luta de classes ou algo parecido?
R. Descontando a ironia da pergunta, devo dizer que pensei muito se
deveria ou não deixar no texto a passagem que trata do assunto. Optei por
deixar. Acho que não se pode reduzir o processo histórico a mecanismos
determinados. Claro que o homem não tem liberdade total de ação, uma
vez que tempo, espaço, condição social, vinculação política, formação
ideológica e outros fatores constituem elementos limitadores de sua ação.
Mas não aceitar que ele tenha uma autonomia - ainda que relativa - seria
transformar seres humanos em autômatos, a vida humana em vegetal.
Continuo achando que há categorias históricas e categorias
supra-históricas. A estas últimas pertencem, entre outras, coragem, medo e
amor, categorias alias que encontram formas de se manifestar em todas as
sociedades humanas.

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