Caudilhismo

Assim como na chamada República dos Oligarcas (1894-1930), no Brasil, tinha-se a figura do “coronel”, isto é, a autoridade política local de perfil autoritário e paternalista, em outros países da América Latina, desde as primeiras décadas do século XIX até o início do século XX, prevaleceu a figura do “caudilho”. A diferença em relação à realidade brasileira foi a de que o caudilho apareceu no contexto dos processos de independência das nações latino-americanas, que, em sua maioria, ao contrário do Brasil, não assumiram o caráter de império. No Brasil A figura do “coronel” esteve associada ao advento da República a partir de 1889.

Dessa forma, após as guerras por independência, como as empreendidas por Simon Bolívar e outros líderes latino-americanos, ocaudilhismo apareceu como um modelo político que sucedeu a antiga administração colonial. Com os sucessos dessas guerras, muitos militares passaram, posteriormente, a assumir a estrutura político-administrativa das regiões libertadas, já que, nesse contexto, as recém-criadas nações latino-americanas não tinham ainda amadurecimento político para suportar os regimes democráticos representativos. Entre esses líderes, figuraram personalidades como Martin Miguel de Guemes, militar que atuou como caudilho na Argentina, Ramon Castilla, do Peru, Carlos Antonio Lopez, do Paraguai, e Antonio Guzmán Blanco, da Venezuela.
Outro fator que contribuiu para a propagação do caudilhismo, além do vácuo político após as guerras, foi o declínio da economia. A demanda por reorganização da estrutura econômica na América Latina favoreceu também a figura do caudilho, haja vista que ele conseguia exercer um forte controle regional e estabelecer diretrizes para a produção econômica entre aqueles que estavam a ele submetidos.
Ramon Castillha, caudilho do Paraguai *
Ramon Castillha, caudilho do Paraguai *
O pensamento político do caudilhismo não era firmemente ideológico e organizado, de modo que cada caudilho assumia tendências mais autoritárias e repressoras ou mais liberais e progressistas, como era o caso de Antonio Guzmán Blanco.
O caudilhismo só entrou em decadência nas primeiras décadas do século XX, quando os fenômenos como a industrialização e a migração de populações europeias para a América Latina tornaram-se evidentes, o que exigiu uma reformulação do modelo político adotado até então que procurasse enfraquecer os poderes regionais e instituir uma estrutura estatal centralizada. O problema foi que essa reformulação política desencadeou os regimes autoritários latino-americanos, como foi o caso, por exemplo, do Estado Novo de Getúlio Vargas no Brasil.